quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Como matar um velhinho
Vinte e dois anos agrás, quando eu ainda era rotariano, preparei um texto que se destinava a ser a palestra de uma reunião extraordinária. qual não terá sido minha surpresa quando, ao chegar ao recinto, fiquei sabendo que a responsável pelo programa, sem me avisar, trouxe outro convidado. Fiquei sinceramente ofendido, imprimi a pelestra e remeti como carta para todos os membros do club. Fui motivado pela reforma previdenciária de então, que, a exemplo dapresente, não era reforma, somente um ajuste de parâmetros. Para que não se possa dizer que não é um texto original daquele tempo, fiz questão de anexar a digitalização do documento impresso com equipamento de época. Aqui vai em meio acessível:
COMO MATAR UM VELHINHO
Luiz Alberto M. de Carvalho e Silva
(Economista e Consultor)
Zé é um trabalhador que, aos quarenta anos e com vinte de contribuição social, perdeu o emprego. Não consegue outro porque seu posto se extinguiu ou porque sua idade está acima da média dos brasileiros. Ele é casado e tem quatro filhos a sustentar. A necessidade o leva ao mercado informal de trabalho. Ele poderia continuar contribuindo como autônomo, mas o valor passa a ser muito maior que o de quando era empregado no mercado formal. Esse passa imediatamente a ser um item de baixíssima prioridade na lista das despesas domésticas. Zé não é um imprevidente. Ele sabe muito bem que não poderá trabalhar para sempre e que um dia dependerá de sua aposentadoria. No entanto, as despesas com alimentação, lazer e saúde de seus filhos consomem a totalidade de seus rendimentos e ele deixa de pagar o que deve à previdência social. Mês a mês a dívida vai aumentando e a probabilidade de que Zé volte ao mercado formal vai diminuindo, até que a velhice chegue e, aos olhos da sociedade, ele seja considerado como um biscateiro, restando-lhe a indigência como corolário de toda uma vida de trabalho.
Infelizmente, Zé é o mais comum dos exemplos. Segundo o Ministério da Previdência Social, nos últimos dois anos, o número de contribuintes caiu de aproximadamente 29.740.000 para 28.100.000 e a porcentagem de trabalhadores com carteira assinada caiu de 53% para 47% no mesmo período. Tudo leva a crer que vincular a arrecadação à massa de salários pagos na economia formal é incoerente porque ela só vem diminuindo sua participação no mercado real ano a ano. Nossos governantes, incluindo os do poder Legislativo, tomaram, na semana passada, a medida mais descabida possível, atrelando a aposentadoria ao tempo de contribuição. Essa ideia de contador que traz o lápis atrás da orelha baseia-se no pressuposto de que os ativos devam pagar pelos inativos, esquecendo-se de que a situação não teria chegado a tal ponto se o próprio Governo não tivesse usado os recursos da previdência para pagar obras públicas nos anos 70. Tal vinculação pode até evitar a falência do sistema no curto prazo mas criará um problema social de inauditas proporções daqui há uns vinte ou trinta anos porque a parcela de idosos que não terão direito à aposentadoria será mais quer significativa, obrigando o poder público a tomar medidas de emergência.
Além de tudo isso, a arrecadação sobre os salários é tecnicamente inviável pelo óbvio motivo de que, nas épocas de crise, quando a população mais precisa da previdência, a entrada de recursos é menor. Isso gera um inevitável déficit. Nos países do primeiro mundo, isso não é tão sentido porque o seguro desemprego mantém o mínimo de renda do trabalhador, fazendo com que a arrecadação não caia tanto e que a perspectiva de atraso na obtenção da aposentadoria inexista, mesmo porque, em muitos deles ela ocorre somente por idade.
A automação é necessária porque leva o ser humano a trabalhar com o que tem de melhor: o seu cérebro. Ela, porém, com o atual sistema de arrecadação, faz com que a parcela de responsabilidade social caia a medida que o nível de utilização de mão-de-obra seja menor no processo de produção. Quando se vive num país que privilegia a especulação isso se torna ainda mais cruel.
Não houve, portanto, qualquer reforma. O que ocorreu foi um reles e medíocre ajuste, sem qualquer sombra de originalidade. Isso é o de que mais precisamos agora. É urgente encontrarem-se meios de trazer essa maioria de trabalhadores de volta da informalidade e não é com encargos sociais baseados nos seus vencimentos que isso ocorrerá. Há os que defendem o combate à sonegação como solução. Penso que ela deva ser combatida porque todos têm que pagar o que devem. Penso também, que, se o método de arrecadação não for inteligente e a fiscalização excessivamente insistente, somente a corrupção tem a ganhar e a informalidade continuará crescente.
Não sei se o que vou sugerir é o melhor, mas é, sem dúvida, original. Que tal criar um imposto sobre cheques e débitos bancários com alíquota de meio por cento sobre o valor debitado, que substituiria todos os encargos incidentes sobre salários? O imposto em si não traz nada de novo. A inovação está em eliminarem-se os atuais encargos, fazendo com que os especuladores passem a contribuir, assim como todos os que hoje estão no mercado informal. Esse montante formaria um fundo administrado pelos sindicatos patronais e de trabalhadores, além do sistema financeiro privado. Dessa forma, o patrimônio ficaria a salvo da ganância do Governo que não teria condições de usar esses recursos para tapar seus rombos. Em outras palavras, seria viável levar ao sistema previdenciário a possibilidade de os excedentes serem aplicados, aumentando o bolo a distribuir entre os aposentados.
Meio por cento seria suficiente? Creio que sim porque, segundo os teóricos que implantaram esse imposto há dois anos, a economia seria capaz de girar um montante equivalente ao PIB todos os meses. Apesar dos percalços, arrecadaram-se mais de cinco e meio bilhões de dólares em apenas oito meses. O montante esperado sem grande rigor científico seria de aproximadamente dezessete bilhões de dólares, três bilhões a mais do que a arrecadação atual.
Muitas outras medidas precisariam ser tomadas, como a aposentadoria por idade e retirada de privilégios. Aliás, não seria possível manterem-se variações de vencimentos para os inativos porque a vinculação estaria automaticamente extinta.
Trata-se de uma sugestão, não uma panaceia. Peço apenas que nossos Legisladores pensem antes de agir e procurem soluções que não fique obsoletas daqui a uma semana.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Adeus à Caixa Econômica
Para entender o crime que se está cometendo contra a mais antiga instituição financeira do país, é preciso dar um passeio pela contabilidade e pelas finanças. Antes de começar, é importante lembrar que todos os envolvidos, especialmente o ministro da fazenda Henrique Meireles, têm total consciência. É que ele chegou à presidência mundial de um banco americano, donde se conclui que tudo o que se dirá aqui é de seu pleno domínio.
Um banco não passa de uma loja de dinheiro. Ele compra dinheiro dos depositantes e vende para quem precisa de caixa ou para quem tem disponibilidade mas não quer usá-la em seus negócios. Se a loja compra a prazo, que nos bancos são as aplicações, e vende à vista, poderá fazer muitas vendas e muitas compras antes que a primeira delas tenha vencido. Se, ao contrário, a loja comprar à vista, que sãos os depósitos em conta corrente no caso dos bancos, e vender a prazo, precisará ter muito capital próprio para poder financiar a operação. É por isso que os bancos aumentam a taxa de juros pagas aos aplicadores em função do valor aplicado e do prazo de aplicação. É que eles querem ter o maior estoque possível para poder girar antes de ter que pagar pela mercadoria que, no caso dos bancos, é o dinheiro.
A Caixa era a mais privilegiada das lojas, mesmo sendo proibida de vender dinheiro para seu dono, que é o governo. Quando vende, considera-se como uma pedalada fiscal e é crime. Ela era privilegiada porque é depositária os recursos do FGTS e dos referentes ao FAT (Fundo de Amparo ao trabalhador), que é formado pelo PIS-Cofins e outras arrecadações cujo resgate era bastante restrito. Mesmo que o BNDES usasse esses recursos para financiar investimento, só o fato de o dinheiro passar pela Caixa já dá uma fortuna em juros porque aumenta a disponibilidade de caixa. O FGTS era um man´´a porque custava muito pouco e ficava lá por um prazo médio que excedia os dez anos.
O uso político da Caixa pelo governo passado já prejudicou esse casamento entre recebimentos e pagamentos, o que se agravou com a crise porque era de lá que saiam os recursos para o pagamento do salário-desemprego e para o resgate do fundo. Ora, em vez de o governo atual deixar o máximo de recursos depositados na Caixa, fez justamente o oposto, provocou uma corrida de resgates de FGTS (R$ 40 bilhões) e PIS (R$15 bilhões) para fomentar consumo. Se aplicarmos a ideia da loja de dinheiro, o governo antecipou o pagamento da mercadoria e ficou com um estoque menor para vender. Qualquer pipoqueiro ou vendedor de cachorro quentes, assim como qualquer microempresário, mandaria interditar um administrador que tomasse uma atitude dessas.
Mas ainda outro agravante, o Brasil é signatário do Acordo de Basileia em que se criam regulamentos para que os bancos não abusem do crédito comprando mais dinheiro do que conseguem vender com segurança como aconteceu nos Estados Unidos na década passada. Os bancos recebem uma nota de acordo com seus balanços e, quando essa nota fica muito baixa, os acionistas precisam pôr mais recursos, até que ela atinja o mínimo aceitável, repondo a em condições de operar com segurança. Não analisei o balanço da Caixa mas, certamente, sua nota caiu muito com a sangria promovida pela equipe econômica atual. Eu tinha Meireles em altíssima conta quando era presidente do Banco Central e fiquei com seriíssimas dúvidas a seu respeito enquanto ministro da fazenda. É que um bom goleiro não costuma ser um bom atacante. Como presidente do Banco Central, ele soube defender a moeda mas o ministro tem que chutar em gol sem comprometer o restante do time, especialmente, a defesa.
terça-feira, 21 de novembro de 2017
Quem matou as meninas?
Algumas semanas atrás duas
meninas de três anos foram encontradas estupradas e mortas no baú de um furgão
roubado e camuflado no fundo da favela em que as garotas viviam. Três homens
foram presos. Pode ser que tenham sido eles a cometer o ato físico mas, ao meu
ver, quem matou essas meninas foi a somado descaso dos governantes e da inépcia
de alguns intelectuais que “glamourizaram” as favelas, até as transformando em
destino turístico. Desde os anos 1980, existe uma corrente, equivocadamente
baseada em Bertrand Russel, das ciências sociais que procura derrubar a
“ditadura da maioria”, ou seja, dar às minorias a visibilidade que até então
lhes foi negada. O equívoco refere-se à defesa dessas minorias como sendo
sempre perenes, o que pode não ser verdade. Há grupos étnicos e de pessoas com
deficiência em que de fato são permanentes. Quando se fala na miséria, quanto
mais passageiros forem os grupos, melhor para a sociedade como um todo.
Ao rebatizar
as favelas como comunidades, esses intelectuais atribuíram-lhes características
culturais indeléveis e a serem preservadas, perenizando uma excrescência social
quase coo uma estirpe a ser preservada a qualquer custo. Daí surgirem canções
dizendo que “Eu só quero ser feliz, andar tranquilamente na favela onde nasci”,
como se almejar sair da favela fosse algo a ser desprezado, até uma traição.
Não se fala sequer em urbanizar consistente e planejadamente as favelas mas
instalam-se aparatos paliativos como teleféricos que só fazem sedimentar ainda
mais o caos urbanístico, além de fixar ainda mais as raízes dos moradores.
Caos
urbanístico provocado pela ausência do Estado traz o poder paralelo, antes
representado pelo jogo do bicho, hoje dominado pelo tráfico de drogas. Parece
incrível que, com semelhante desorganização, com tão estrondosa defasagem no
aparelho público, ainda se fale em transformar a favela em comunidade
simplesmente pela troca de nome, como se chamar o Rio tietê de esgoto a céu
aberto acabasse com sua poluição. Entendo que levar moradores para o outro lado
da cidade à força seja uma violência mas não acredito que urbanizar as favelas
dando-lhes uma ordem socialmente aceitável seja um exercício impossível. Sem
isso não há como impor a presença do Estado e resgatar essa população que está
totalmente desprovida de oportunidades. Muito provavelmente, se não fossem
faveladas, se não estivessem andando a esmo pela imundice do ambiente em que
nasceram, talvez geradas, se estivessem em uma creche, provavelmente elas
estivessem vivas agora. Que desperdício! O Brasil age como se manter um
contingente apreciável à margem do desenvolvimento fosse justo porque, aos
olhos de nossa classe média, ainda há coisas para ricos e restolhos para
pobres.
terça-feira, 4 de julho de 2017
Mensuração de desempenho em organizações governamentais 1)Teoria Geral do Estado Trata-se de uma matéria abandonada pelos cursos de ciências sociais aplicadas, talvez porque tenha sido obrigatória durante a ditadura militar. É, no entanto, imprescindível para situar o governo e seu papel para que, a partir de então, possa-se tentar medir o desempenho de suas organizações. O enfoque aqui será o positivista mas não eurístico. Nota-se que os estudos mais recentes fixam-se em sociedade e estado mas esquecem-se de que há ainda dois conceitos imprescindíveis, o de povo e o de nação. Nação é um conjunto de pessoas que congregam laços culturais e históricos independentemente de ocupar um determinado território coo acontece com as nações indígenas que, mesmo compartilhando território com outras, muitas vezes antagônicas, não perdem seu modo de viver, de pensar e de falar, mantendo, portanto, uma identidade cultural que pode ou não ser étnica. Povo é o conjunto formado por uma ou mais nações que se sujeita a uma autoridade que se chama governo, enquanto o Estado refere-se ao povo politicamente organizado que, considerando-se o território soberano, constitui um país. A sociedade civil, por sua vez corresponde ao espaço em que o poder de fato é exercido, ao passo que é no Estado que se exerce o poder emanado das leis. O governo, portanto é a organização que exerce o poder coercitivo do Estado. Para efeito deste trabalho, a sociedade será dividida entre governantes e governados, sendo que os primeiros representam o estado. Sob a ótica institucional, que será aprofundada adiante, o principal é o povo (governados) e os agentes são os governantes. Ambos, principal e agentes estão sempre em conflito que são inerentes à natureza da assunção ao poder no que se convencionou chamar de regime. Também, para efeito deste trabalho, parte-se do princípio de que as instituições sejam democráticas. Para a comparação do conflito de agência entre o setor público e o privado, é preciso ter em mente que, enquanto o privado pode fazer tudo o que não for proibido (leis restritivas) e tudo o que for obrigado (leis afirmativas), o setor público só pode fazer o que está na lei. 2)Desempenho Talvez não haja conceito mais difuso e mesmo subjetivo que o de desempenho. A coisa começou a tomar uma forma capaz de ensejar uma discussão minimamente racional a partir da premissa puramente schumpeteriana de que a empresa visa sobreviver. Até então, predominava o conceito de que a empresa visa lucro. Depois de Schumpeter, ficou claro que quem visa lucro são os investidores a empresa, como organismo vivo, visa sobreviver e prosperar. A coisa ficou ainda mais clara depois que Coase contestou a premissa de que o comportamento da firma fosse mais racional do que do indivíduo. É que cada indivíduo que a compõe visa maximizar a utilidade de seu relacionamento com a organização, interesses esses que geram conflitos muitas vezes intransponíveis. A partir dos anos 1950, essa linha de pesquisa recebeu o nome de Economia Institucional e o reconheceu-se que os conflitos envolvem muitos outros agentes que não são investidores e empregados, porém, toda a cadeia de suprimentos à montante e toda a cadeia de distribuição à jusante. Mais tarde, incluiu-se o estado e este conjunto recebeu o nome de “stakeholders”. Todos têm apenas um ponto em comum na forma com que veem a empresa: a sobrevivência dela. O empregado quer maximizar salários mas não pretende espoliar o empregador para não pôr o emprego em risco. O acionista visa otimizar simultaneamente o valor cotado a mercado e o retorno sob a forma de dividendos. O executivo visa otimizar a participação de mercado porque é isso que lhe vai dar visibilidade no mercado e garantir-lhe que o próximo emprego dê-lhe mais poder que o anterior perante a sociedade. O fornecedor pretende vender a preços capazes de lhe satisfazer os desejos, porém, sem levar o cliente à falência. O comprador pretende maximizar o valor percebido, garantindo a continuidade do fornecimento. Finalmente, o estado pretende maximizar a arrecadação sem pôr em risco a atividade econômica. A questão é que cada um entre os stakeholders tem uma ideia distinta de desempenho. Um fornecedor pode medir o desempenho de seus clientes pela curva ABC baseada na margem percebida aliada ao índice de liquidez para minimizar a probabilidade de não receber. O cliente corporativo, por sua vez, pode usar a curva ABC para classificar seus fornecedores tomando o valor adicionado como base, aliando-o ao retorno sobre o patrimônio líquido para minimizar o risco de ver o fornecimento interrompido. Há ainda quem pretenda medir o desempenho da empresa a partir de sua atuação perante a sociedade. Isso resultou no balanço social como forma de demonstrar os serviços prestados e a colaboração com o desenvolvimento do bem estar social. Resumindo, o conceito de desempenho varia consoante o público interessado. 2)Aplicaçao da Teoria da Agência no setor público. Graças ao poder coercitivo do Estado, os clientes, que são, ao mesmo tempo, os principais, não têm opção acerca do preço a pagar pelos serviços públicos porque ele corresponde aos tributos pagos. Resta saber se o valor criado corresponde às expectativas do cidadão e essa é, em resumo, a medida primeira da eficiência das organizações governamentais. Essa expectativa de valor varia ao longo da sociedade porque as instituições privadas conseguem otimizá-lo via planejamento tributário e uma escala significativamente maior que as pessoas físicas, especialmente, os assalariados cujos impostos ou são descontados de seus rendimentos, ou estão embutidos no preço do que pelo que pagam. Os agentes, por sua vez, não formam um grupo homogêneo e com interesses comuns. Dividem-se, grosso modo, em dois grupos, os transitórios, representados pelos políticos (eleitos e comissionados), e os permanentes, representados pelos servidores concursados. O segundo grupo também não é homogêneo porque o poder discricionário não se distribui de forma contínua, sequer equitativa, entre eles. Os agentes transitórios visam a permanência no poder e usufruir de tudo o que ele acarreta indiretamente. Os concursados, por sua vez, visam otimizar seus rendimentos diretos e benefícios indiretos como a estabilidade. Assim como ocorre na aplicação da teoria da agência no setor privado, o setor público sofre da assimetria das informações, porém, não da mesma forma. É que, no setor privado, os agentes detém as informações e os principais dependem delas numa relação unívoca. No setor público, no entanto, a assimetria de informações dá-se numa relação biunívoca, haja vista que, para cobrar impostos, o governo depende de informações fornecidas pelos principais. Dessa forma, a relação de mercê que se detecta no setor privado não se repete. 3)Mitigação da assimetria de informações Sob o enfoque do estado, dado seu poder coercitivo, as informações são apresentadas, pelo lado físico, via livros e mecanismos informatizados como o SPED Fiscal e o Sintegra , que rastreia as transações comerciais desde a matéria-prima até o produto final; o SPED Contábil, que padroniza o plano de contas e cria métodos de comparar empresas via B. I. Siscomex e Recof , entre outros. Pelo lado financeiro, através do registro de todas as transações e contratos de aplicação e empréstimos no Banco Central. Isso recebeu o nome de Governo eletrônico e tem sido desenvolvido à margem da política pelos agentes concursados, como segmentado na seção anterior. No outro sentido, a CF88 deu início ao processo de imputabilidade . Entre seus artigos 70 e 75, o que desembocou em duas vertentes, a CGU (Controladoria Geral da União) e o portal da transparência, este último atendendo o preceito do “abeas data”, que obriga o Estado a fornecer dados, sempre que solicitados pelo cidadão, dentro da lei. Estes preceitos, embora adotados com certa rapidez em âmbito federal, não têm a mesma celeridade nas esferas inferiores (estadual e municipal), mesmo que estes contem com mecanismos de fiscalização entre os poderes como se atribui aos tribunais de contas. 4)Medição do desempenho das organizações públicas Muitos autores acreditam que a sonegação, pelo lado do principal; e a corrupção, pelo lado do agente, sejam o resultado da diferença entre o valor criado pela organização e almejado pelos stakeholders. Se o estado não presta serviços pelo montante da arrecadação, a sociedade tende à sonegação como forma de ajuste. Por outro lado, se o Estado não remunera seus stakeholders condignamente, eles tendem a corromper-se. Assim, em termos generalistas, a percentagem correspondente à sonegação traduziria a diferença entre o valor criado e o custo do Estado. Ao mesmo tempo, o grau de corrupção traduziria o comportamento do governo perante seus colaboradores, daí ouvir-se a máxima simplória, até ingênua, de que “aumentando o salário dos servidores, reduz-se a corrupção”. Se ambos falham é porque os mecanismos de controle não são eficazes, seja pelo lado da cobrança dos impostos, seja pelo lado da venda de benefícios pelos agentes. Mas os agentes permanentes dedicam-se à melhoria dos mecanismos de controle, daí desenvolverem um governo eletrônico internacionalmente admirado. Isso é resultado do fato de que mesmo as oportunidades de o agente corromper-se não serem simétricas, havendo os que estão e os que não estão expostos a elas. Lembrando que o principal é também o cliente e que a relação de clientela varia consoante a renda do cidadão, existe uma assimetria no que tange a percepção de valor criado pelo Estado. Enquanto os mais pobres o entendem sob a forma de escolas públicas, atendimento em postos de saúde e transporte público, os mais abastados estão preocupados com a superlotação dos aeroportos, a qualidade das vias expressas e a segurança patrimonial. É justamente nesse ponto que cabe a adoção de mecanismos de medição de desempenho adaptados da iniciativa privada como, por exemplo, o balance Score Card. Trata-se de adaptação porque as dimensões originais não fazem sentido nas organizações públicas. A dimensão financeira, por exemplo, precisa ser substituída pela orçamentária por dois motivos. O primeiro diz respeito às LDO que existem nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal). Em segundo lugar porque as organizações públicas estão sujeitas ao orçamento base zero Isso significa que os administradores públicos são obrigados a consumir os recursos dentro do cronograma, caso contrário, não pode contar com eles nos períodos posteriores, mesmo que sob a mesma rubrica ou item orçamentário. A dimensão de custos é substituída pela dimensão de gastos porque as compras e demais dispêndios estão sujeitas à lei 8666/1990 que regula as licitações públicas, o que dificulta, quando não impossibilita a adoção de medidas para redução de custos. A dimensão de satisfação do cliente fica restrita às duas anteriores, podendo-se criar índices específicos como tempo de espera ou mesmo cumprimento de prazos. A dimensão de aprendizagem também recebe outra conotação, visto que os participantes com menor poder discricionário são os agentes permanentes, enquanto os que decidem são agentes temporários, seja pela eleição, seja pelo comissionamento. Ademais, a estrutura também se altera consoante a tomada de posse. A partir da reforma do Estado empreendida por bill Clynton nos anos 1990, quando se criaram as agência reguladoras, a intenção de mitigar a influência política nas atividades permanentes da administração pública. É que, nomeado o presidente de uma agência, nem mesmo o presidente da república o pode destituir do cargo. Isso reforça a dicotomia entre o governo transitório e o permanente, empoderando o segundo em detrimento do primeiro. Isso, porém, não resolve o poder de monopólio institucional que o estado exerce sobre o cidadão mas poderia torná-lo controlável se houvesse mecanismos que dessem ao povo meios de medir a relação entre o pelo que pagam sob a forma de impostos e o que recebem em forma de serviços públicos. Os mecanismos teoricamente democráticos não suprem essa necessidade porque os tribunais de contas limitam-se a aprovar ou reprovar contas numa auditoria puramente orçamentária, sem, no entanto, avançar sobre a qualidade dos serviços prestados. Isso só pode dar através do “feed back” do cliente que, repetido, é também o principal numa relação de viés institucional, reforçando o uso de artefatos como o Balance Score Card.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
sábado, 9 de maio de 2015
Sua Excelência o PMDB
Quem governa o Brasil é o PMDB há pelo menos 30 anos. Tudo
começou com a derrota da Arena em novembro de 1976. Em abril do ano seguinte,
Presidente Geisel, antevendo o fim da aura democrática que tentava camuflar a
ditadura militar por causa da vitória do então MDB, lançou umpacote que
culminou com o cancelamento das eleições de 1978. Se não fizesse isso, teria de
fechar o Congresso e admitir universalmente o que era o regime brasileiro. O
tal Pacote de abril limitou o número de deputados a quinze no míniimo e a 60 no
máximo, ficando proporcional ao número de habitantes de cada estado nesse
intervalo. Aconteceu que estados totalmente desabitados como Roraima e Amapá
passaram a contar com quinze deputados, enquanto São Paulo limitou-se aos
sessenta. Foi a partir daí que o sotaque nordestino ficou preponderante em
Brasília, influenciando os hábitos, iinclusive os alimentares. No centro do
Planalto Central encontram-se restaurantes de pescado entre os melhores do país,
graças ao gosto dos nordestinos litorâneos que formam a maioria na Câmara, seus
famíliares e assessores.
No mesmo pacote, foi criado o “senador
biônico” que era “eleito” por voto indireto tal que passaram a ser três por
estado, sendo o terceiro basicamente nomeado pelo governo, garantindo maioria
da Arena no Senado. Em rede nacional, Geisel disse: “Se não posso governar com
o sul, governarei com o Nordeste”. Essas distorções poderiam ter sido
corrigidas na promulgação da CF88 mas, ao contrário, perpetuaram-se.
A ascenção do
MDB – posteriormente PMDB – deveu-se à classe média que começava a clamar pela
democracia, clamor este que transbordou o ciclo dos intelectuais e cresceu até
1984, quando por eleiç´~ão indireta, Tancredo Neves tornou-se o presidente pelo
PMDB. Desde então, esse partido nunca mais saiu do governo, formando sempre o
vice, independentemente de quem estivesse no poder. A posição de iminência
parda é a mais confortável que pode existir politicamente. Governa, aprova os
erros e não figura como culpada. A máxima de que “Ninguém governa sem o PMDB”
está na boca de todos os congressistas, jornalistas e historiadores. É por isso
que esse partido é corgejado pela situação e pela oposição. Foi por Collor, e
seu PRN, pelo PSDB de FHc, pelo PT de Lula e agora encontra tapetes vermelhos
estendidos na casa do PSDB ou de qualquer partido que almeje o poder. É o que mais concentra bancadas como a
evangélica. A estória desse partido deveria ser alvo de estudos em História e
Ciência Política.
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